terça-feira, 9 de agosto de 2011
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Cinema no Telhado

Um projetor, o telhado de um prédio qualquer, e bons filmes (exclusivos) para exibir. Já pensou se essa idéia pega no verão soteropolitano?
Assim funciona a Rooftop Films, em Nova Iorque, que iniciou suas atividades em Julho de 1997, do alto de um prédio de apartamentos na 14th Street, em Manhattan. O cineasta e fundador Mark Elijah Rosenberg tinha acabado de se formar na Vassar College resolveu voltar para a sua Nova Iorque Natal. Estava rocurando uma forma inovadora de reunir pessoas para exibir novos curta-metragens. Ao invés de tentar alugar algum teatro pequeno e mofado, Rosemberg pegou seu projetor 16MM, um sistema de som barato e uma lona branca grande o suficiente e convidou todo mundo que estivesse disposto a subir no telhado do seu pequeno apartamento. Várias pessoas apareceram, muitos deles com seus filmes em mãos, e os filmes foram exibidos à noite, tendo como cenário os arranha-céus e os pombos dos céus do East Viallage, ao fundo.
A Rooftop gradualmente se tornou um força organizadora de uma comunidade de artistas, trazendo músicos e outros artistas para se apresentarem antes das exibições, colaborando com outras organizações, trazendo a visão de curadores de fora para cima do telhado. E o mais importante: criando e mantendo um ambiente onde cineastas podem se juntar, compartilhar seu trabalho e assistir a filmes que não estão sendo mostrados em nenhum outro lugar. Em 2001, o Rooftop Films Summer Series se tornou um festival legitimo e popular com exibições semanais durante todo o verão e centenas de pessoas comparecendo às sextas-feiras para assitir o melhor do cinema underground produzido na cidade. A rooftop é uma organização sem fins lucrativos, e quer engloba uma equipe de voluntários que trabalham árduamente. Rosemberg continuou como diretor artístico, e Sarah Nuxoll entrou como diretora do festival e diretora de programação, respectivamente. Eles também expandiram sua missão ao oferecer benefícios e assitência inestimável aos cineastas participantes. Um dólar de cada ingresso vendido e de cada assinatura vai para o Fundo dos Cineastas da Rooftop, que é revertida para que os cineastas que têm seus trabalhos exibids continuem a produzir. Também auxiliam com empréstimo de câmeras, ilhas de edição, equipamento de exibição e Assistência profissional para os iniciantes. Boas idéias nascem para ser copiadas, não?
domingo, 26 de outubro de 2008
(dê-vê-dê) Evandro Teixeira: Instantâneos da Realidade
O instante captado pelo olhar humano, através das lentes de uma câmera – ou simplesmente fotografia. Essa é a grande paixão de Evandro Teixeira, fotojornalista brasileiro que desde os anos 60 se dedica a registrar os grandes momentos e personagens da nossa história. A trajetória de Evandro, cujo trabalho ultrapassou as fronteiros do fotojornalismo e ganhou status de arte, é o foco do documentário Evandro Teixeira: Instantâneos da realidade (Paulo Fontenelle, Brasil, 2004). 
O diretor opta por uma construção pautada apenas em bons depoimentos e belas imagens - a única exceção é o início do filme, que traz um texto do poeta Carlos Drummond de Andrade narrado em ‘off’. Diante das fotos de Evandro Teixeira, ele escreveu: “ [...] É preciso que a lente mágica enriqueça a visão humana / e do real de cada coisa um mais seco real extraia / para que penetremos fundo no puro enigma das figuras [...] ” A habilidade de Drummond com as palavras traduz a habilidade do fotógrafo em captar instantes da realidade. E Evandro vai além: mesmo no exercício do jornalismo diário, ele realiza um trabalho de grande qualidade estética, rico em plasticidade. As fotos de Evandro Teixeira são, ao mesmo tempo, fato e poesia.

O documentário de Paulo Fontenelle conta com depoimentos de jornalistas, fotógrafos, artistas e familiares e é permeado, claro, pelas belas imagens de Evandro – a maioria em preto-e-branco e com o elemento humano quase sempre presente (de esportistas a estudantes, de políticos a moradores de rua). Com a câmera em punho e o olhar sempre alerta, ele esteve presente nas lutas de rua de 68, na posse do presidente Lula em 2003, nas conquistas do esporte e nos grandes momentos da cultura. Não por acaso, o renomado fotógrafo Sebastião Salgado classifica a obra de Evandro Teixeira como “profundamente brasileira, um pedaço da nossa história”. Afinal de contas, com a obstinação que lhe é peculiar, ele fotografou moda, fez ensaios livres, cobriu esporte, carnaval e política. Em relação a esta última, cabe ressaltar que o trabalho realizado durante o período da ditadura é de grande destaque e importância. Naquela época, a imagem era capaz de mostrar o que a palavra não conseguia, já que os textos eram mutilados pela censura. Muitas imagens capturadas por ele nesse duro momento da história do Brasil se tornaram célebres, como a foto da Passeata dos Cem Mil.
O jornalista Marcos Sá Correa, por sua vez, destaca o lado “moleque” de Evandro, que no início da carreira já era a estrela da redação do Jornal do Brasil. Vinte anos depois, Marcos o reencontrou na mesma redação. Ele continuava “barulhento”, “piadista” e, o mais surpreendente, matinha o mesmo entusiasmo da juventude. Outros colegas também estão presentes no documentário, como Fritz Ultzer, Walter Lessa e Rogério Reis. Eles discorrem sobre o excelente olhar fotográfico de Evandro Teixeira, que é dono de uma agilidade e perspicácia fora de série. Comentando sobre algumas imagens e sobre as artimanhas de Evandro para conseguir o melhor ângulo, Fritz Ultzer diz que na obra de seu colega e amigo existe a história da notícia mostrada pela foto e, mais ainda, a história de como a foto foi tirada.
O diretor colheu também o depoimento de Dona Nazinha, mãe de Evandro, que conta anedotas da infância do filho e do seu despertar para a fotografia. Para isso, Paulo Fontenelle fez questão de deslocar sua equipe até Irajuba, interior da Bahia, onde o fotógrafo nasceu e se criou. O próprio Evandro relembra momentos da infância e juventude, até a decisão de ir morar no Rio de Janeiro. Suas filhas Carina Caldas (jornalista) e Adriana Almeida (fotógrafa) falam com orgulho da obra do pai, que elas têm como fonte de inspiração.
Para finalizar o filme, Fontenelle abre um grande parêntese e mergulha no trabalho intitulado “Canudos 100 anos”, realizado em 1997, no qual o fotógrafo garimpou os vestígios da Guerra de Canudos e seus sobreviventes e os eternizou em imagens em preto-e-branco. Antes dos créditos, porém, entram ainda depoimentos curtos de todos que participaram do documentário e fotografias em que Evandro Teixeira aparece do outro lado da lente, posando com importantes figuras brasileiras - mas sempre com sua câmera na mão.terça-feira, 21 de outubro de 2008
6º Festival Internacional de Cinema Infantil chega a Salvador

segunda-feira, 13 de outubro de 2008
(dê-vê-dê) Os Pássaros
A princípio, nada de especial. A bela Melanie Daniels (Tippi Hedren) vai até a pequena cidade de Bodega Bay atrás de Mitch (Rod Taylor), solteirão com pinta de galã que ela havia conhecido de maneira inusitada numa loja de pássaros. As primeiras seqüências apresentam um tom leve, quase de comédia romântica. Na estrutura narrativa, o suspense ganha espaço gradativamente, tendo como pontapé inicial a cena em que Melanie é subitamente golpeada na cabeça por uma gaivota. A partir daí, ocorre uma verdadeira invasão de pássaros à cidade, que dão início a uma série de terríveis ataques. O tom sobrenatural passa, então, a tomar conta do filme, já que a situação apresentada é completamente inverossímil. Ninguém é capaz de deter a fúria das aves e, ao mesmo tempo, não há nenhuma explicação lógica para esse repentino comportamento sádico de seres que normalmente não provocariam temor algum. Com esse mote, o cineasta consegue criar uma metáfora para os nossos medos inespecíficos, brincando com a imaginação do público. Não há um assassino, o “crime” é colocado apenas como pano de fundo para que o aspecto psicológico presente nas situações de mistério e pavor ganhe destaque.
A já citada habilidade de Hitchcock se manifesta na música de Os Pássaros. Ou melhor, na ausência de música. Durante todo o filme, há apenas efeitos sonoros, sempre remetendo aos ruídos produzidos pelas aves. Outro exemplo bastante ilustrativo do talento do cineasta é a cena em que Melanie realiza um percurso de barco até a casa de Mitch. A seqüência em questão apresenta pontos de vista alternados (Melanie e observador) e se desenvolve de maneira absolutamente silenciosa - o silêncio, aliás, é muito bem trabalhado na sua filmografia como um todo. Essa homenagem ao cinema mudo teve o intuito de valorizar a linguagem visual, mostrando a sua devida importância. Há também, é claro, o objetivo de se criar um clima de crescente tensão no espectador. E frustrando as expectativas de quem espera por uma resolução, Hitchcock constrói sua obra de maneira que o filme simplesmente acaba sem um final em si. Fica claro que os pássaros dominam por completo a cidade, mas o destino dos personagens permanece em aberto.sexta-feira, 10 de outubro de 2008
(dê-vê-dê ) Hype! (1996)
Aproveitando a (já) histórica passagem do Mudhoney por Salvador (na próxima quarta-feira, às 18:00 horas, no pelourinho), a dica de dvd de hoje é o documentário Hype! ( de Doug Pray). Lançado em 1996, o dvd só chegou ao brasil em 2007, através da coleção lançada pela extinta revista Bizz!O filme traça um histórico do movimento que ficou conhecido como Grunge, surgido em Seattle, EUA, no fim dos anos oitenta e que misturava Punk, metal e falta de perspectiva. Considerado por muitos até hoje como a última grande revolução no rock, o grunge foi uma onda que quebrou e varreu o mundo por alguns anos até fazer o seu caminho de volta, com a morte do seu ícone maior, kurt Cobain, deixando o estrago de um tsunami enfurecido na música pop desde então.
Em 1 hora e 23 minutos, os músicos da cidade contam histórias, anedotas e refletem sobre a dimensão que o movimento ganhou mundialmente, graças à explosão de bandas como Nirvana, Mudhoney, Alice in Chains e Pearl Jam. Também estão lá o Fotógrafo oficial do movimento, Charles Peterson, Bruce Pavitt e Jonathan Poneman, os donos da Sub Pop, a gravadora que lançou (e continua lançando) boa parte das bandas da cidade.
No documentário também estão Eddie Vedder, líder do Pearl jam (que à época vivia um período de reclusão midiática voluntário, que durou muitos anos), propagandeando as virtudes das bandas locais, que não alcançaram o estrelato, além de bandas como TAD, The Posies, 7 year bitch, the melvins, supersuckers e os "pais do Grunge", o Mudhoney, cujo Vocalista, Mark Arm, cunhou o termo em um fanzine punk local e à época exercia uma influência decisiva sobre a cena local.
Hype! é um verdadeiro tratado sobre um movimento que deixou marcas profundas na indústria do disco, ditou moda à revelia dos envolvido e cujo pedaço importante da história passa por terras soteropolitanas nessa quarta-feira. Imperdíveis! (o show e o filme).
Assita abaixo a um excerto do filme: