terça-feira, 25 de novembro de 2008

Cinema no Telhado


Um projetor, o telhado de um prédio qualquer, e bons filmes (exclusivos) para exibir. Já pensou se essa idéia pega no verão soteropolitano?
Assim funciona a Rooftop Films, em Nova Iorque, que iniciou suas atividades em Julho de 1997, do alto de um prédio de apartamentos na 14th Street, em Manhattan. O cineasta e fundador Mark Elijah Rosenberg tinha acabado de se formar na Vassar College resolveu voltar para a sua Nova Iorque Natal. Estava rocurando uma forma inovadora de reunir pessoas para exibir novos curta-metragens. Ao invés de tentar alugar algum teatro pequeno e mofado, Rosemberg pegou seu projetor 16MM, um sistema de som barato e uma lona branca grande o suficiente e convidou todo mundo que estivesse disposto a subir no telhado do seu pequeno apartamento. Várias pessoas apareceram, muitos deles com seus filmes em mãos, e os filmes foram exibidos à noite, tendo como cenário os arranha-céus e os pombos dos céus do East Viallage, ao fundo.
A Rooftop gradualmente se tornou um força organizadora de uma comunidade de artistas, trazendo músicos e outros artistas para se apresentarem antes das exibições, colaborando com outras organizações, trazendo a visão de curadores de fora para cima do telhado. E o mais importante: criando e mantendo um ambiente onde cineastas podem se juntar, compartilhar seu trabalho e assistir a filmes que não estão sendo mostrados em nenhum outro lugar. Em 2001, o Rooftop Films Summer Series se tornou um festival legitimo e popular com exibições semanais durante todo o verão e centenas de pessoas comparecendo às sextas-feiras para assitir o melhor do cinema underground produzido na cidade. A rooftop é uma organização sem fins lucrativos, e quer engloba uma equipe de voluntários que trabalham árduamente. Rosemberg continuou como diretor artístico, e Sarah Nuxoll entrou como diretora do festival e diretora de programação, respectivamente. Eles também expandiram sua missão ao oferecer benefícios e assitência inestimável aos cineastas participantes. Um dólar de cada ingresso vendido e de cada assinatura vai para o Fundo dos Cineastas da Rooftop, que é revertida para que os cineastas que têm seus trabalhos exibids continuem a produzir. Também auxiliam com empréstimo de câmeras, ilhas de edição, equipamento de exibição e Assistência profissional para os iniciantes. Boas idéias nascem para ser copiadas, não?

domingo, 26 de outubro de 2008

(dê-vê-dê) Evandro Teixeira: Instantâneos da Realidade

O instante captado pelo olhar humano, através das lentes de uma câmera – ou simplesmente fotografia. Essa é a grande paixão de Evandro Teixeira, fotojornalista brasileiro que desde os anos 60 se dedica a registrar os grandes momentos e personagens da nossa história. A trajetória de Evandro, cujo trabalho ultrapassou as fronteiros do fotojornalismo e ganhou status de arte, é o foco do documentário Evandro Teixeira: Instantâneos da realidade (Paulo Fontenelle, Brasil, 2004).
O diretor opta por uma construção pautada apenas em bons depoimentos e belas imagens - a única exceção é o início do filme, que traz um texto do poeta Carlos Drummond de Andrade narrado em ‘off’. Diante das fotos de Evandro Teixeira, ele escreveu: “ [...] É preciso que a lente mágica enriqueça a visão humana / e do real de cada coisa um mais seco real extraia / para que penetremos fundo no puro enigma das figuras [...] ” A habilidade de Drummond com as palavras traduz a habilidade do fotógrafo em captar instantes da realidade. E Evandro vai além: mesmo no exercício do jornalismo diário, ele realiza um trabalho de grande qualidade estética, rico em plasticidade. As fotos de Evandro Teixeira são, ao mesmo tempo, fato e poesia.
O documentário de Paulo Fontenelle conta com depoimentos de jornalistas, fotógrafos, artistas e familiares e é permeado, claro, pelas belas imagens de Evandro – a maioria em preto-e-branco e com o elemento humano quase sempre presente (de esportistas a estudantes, de políticos a moradores de rua). Com a câmera em punho e o olhar sempre alerta, ele esteve presente nas lutas de rua de 68, na posse do presidente Lula em 2003, nas conquistas do esporte e nos grandes momentos da cultura. Não por acaso, o renomado fotógrafo Sebastião Salgado classifica a obra de Evandro Teixeira como “profundamente brasileira, um pedaço da nossa história”. Afinal de contas, com a obstinação que lhe é peculiar, ele fotografou moda, fez ensaios livres, cobriu esporte, carnaval e política. Em relação a esta última, cabe ressaltar que o trabalho realizado durante o período da ditadura é de grande destaque e importância. Naquela época, a imagem era capaz de mostrar o que a palavra não conseguia, já que os textos eram mutilados pela censura. Muitas imagens capturadas por ele nesse duro momento da história do Brasil se tornaram célebres, como a foto da Passeata dos Cem Mil.

O jornalista Marcos Sá Correa, por sua vez, destaca o lado “moleque” de Evandro, que no início da carreira já era a estrela da redação do Jornal do Brasil. Vinte anos depois, Marcos o reencontrou na mesma redação. Ele continuava “barulhento”, “piadista” e, o mais surpreendente, matinha o mesmo entusiasmo da juventude. Outros colegas também estão presentes no documentário, como Fritz Ultzer, Walter Lessa e Rogério Reis. Eles discorrem sobre o excelente olhar fotográfico de Evandro Teixeira, que é dono de uma agilidade e perspicácia fora de série. Comentando sobre algumas imagens e sobre as artimanhas de Evandro para conseguir o melhor ângulo, Fritz Ultzer diz que na obra de seu colega e amigo existe a história da notícia mostrada pela foto e, mais ainda, a história de como a foto foi tirada.
O diretor colheu também o depoimento de Dona Nazinha, mãe de Evandro, que conta anedotas da infância do filho e do seu despertar para a fotografia. Para isso, Paulo Fontenelle fez questão de deslocar sua equipe até Irajuba, interior da Bahia, onde o fotógrafo nasceu e se criou. O próprio Evandro relembra momentos da infância e juventude, até a decisão de ir morar no Rio de Janeiro. Suas filhas Carina Caldas (jornalista) e Adriana Almeida (fotógrafa) falam com orgulho da obra do pai, que elas têm como fonte de inspiração.

Para finalizar o filme, Fontenelle abre um grande parêntese e mergulha no trabalho intitulado “Canudos 100 anos”, realizado em 1997, no qual o fotógrafo garimpou os vestígios da Guerra de Canudos e seus sobreviventes e os eternizou em imagens em preto-e-branco. Antes dos créditos, porém, entram ainda depoimentos curtos de todos que participaram do documentário e fotografias em que Evandro Teixeira aparece do outro lado da lente, posando com importantes figuras brasileiras - mas sempre com sua câmera na mão.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

6º Festival Internacional de Cinema Infantil chega a Salvador


De 24 de outubro a 2 de novembro, a capital baiana vai receber, pela primeira vez, o Festival Internacional de Cinema Infantil. Criado pela atriz e diretora Carla Camurati, em parceria com a produtora cultural Carla Esmeralda, o festival vai ser realizado no Cinemark do Salvador Shopping e conta com uma programação de mais de 20 filmes infantis. De sexta a domingo, pais e crianças podem adquirir ingressos por R$4,00 e assistir a produções como Dois Mosquitos Dançando no Formigueiro, African Bambi (sessão 'pré-estréias internacionais'), Roberto Carlos em Ritmo de Aventura e Pluft, O Fantasminha (sessão 'clássicos Brasil'). Durante a semana, alunos das redes pública e privada de ensino poderão assistir sessões especiais na programação 'A Tela na Sala de Aula', com filmes escolhidos pela possibilidade de adequação a conteúdos curriculares da Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Outra atividade que propõe a participação das crianças é a Oficina de Cinema e Animação, que mostrará algumas técnicas utilizadas na criação de filmes de animação. A programação completa das exibições e atividades está no site http://www.festivaldecinemainfantil.com.br/

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

(dê-vê-dê) Os Pássaros


Após o grande êxito de Psicose (1960), o cineasta Alfred Hitchcock se viu diante da responsabilidade de realizar o próximo trabalho à altura do seu filme mais famoso. Sua particular habilidade e seu domínio sobre a linguagem cinematográfica ficaram mais uma vez evidentes em Os Pássaros (1963), 50º filme da carreira do diretor. Ele também tinha como característica um extremo cuidado e afinco no desenvolvimento do roteiro. Nessa película, Hitchcock optou por uma trama bastante original e inovadora, resultando numa obra absolutamente criativa.
A princípio, nada de especial. A bela Melanie Daniels (Tippi Hedren) vai até a pequena cidade de Bodega Bay atrás de Mitch (Rod Taylor), solteirão com pinta de galã que ela havia conhecido de maneira inusitada numa loja de pássaros. As primeiras seqüências apresentam um tom leve, quase de comédia romântica. Na estrutura narrativa, o suspense ganha espaço gradativamente, tendo como pontapé inicial a cena em que Melanie é subitamente golpeada na cabeça por uma gaivota. A partir daí, ocorre uma verdadeira invasão de pássaros à cidade, que dão início a uma série de terríveis ataques. O tom sobrenatural passa, então, a tomar conta do filme, já que a situação apresentada é completamente inverossímil. Ninguém é capaz de deter a fúria das aves e, ao mesmo tempo, não há nenhuma explicação lógica para esse repentino comportamento sádico de seres que normalmente não provocariam temor algum. Com esse mote, o cineasta consegue criar uma metáfora para os nossos medos inespecíficos, brincando com a imaginação do público. Não há um assassino, o “crime” é colocado apenas como pano de fundo para que o aspecto psicológico presente nas situações de mistério e pavor ganhe destaque.

A já citada habilidade de Hitchcock se manifesta na música de Os Pássaros. Ou melhor, na ausência de música. Durante todo o filme, há apenas efeitos sonoros, sempre remetendo aos ruídos produzidos pelas aves. Outro exemplo bastante ilustrativo do talento do cineasta é a cena em que Melanie realiza um percurso de barco até a casa de Mitch. A seqüência em questão apresenta pontos de vista alternados (Melanie e observador) e se desenvolve de maneira absolutamente silenciosa - o silêncio, aliás, é muito bem trabalhado na sua filmografia como um todo. Essa homenagem ao cinema mudo teve o intuito de valorizar a linguagem visual, mostrando a sua devida importância. Há também, é claro, o objetivo de se criar um clima de crescente tensão no espectador. E frustrando as expectativas de quem espera por uma resolução, Hitchcock constrói sua obra de maneira que o filme simplesmente acaba sem um final em si. Fica claro que os pássaros dominam por completo a cidade, mas o destino dos personagens permanece em aberto.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

(dê-vê-dê ) Hype! (1996)

Aproveitando a (já) histórica passagem do Mudhoney por Salvador (na próxima quarta-feira, às 18:00 horas, no pelourinho), a dica de dvd de hoje é o documentário Hype! ( de Doug Pray). Lançado em 1996, o dvd só chegou ao brasil em 2007, através da coleção lançada pela extinta revista Bizz!

O filme traça um histórico do movimento que ficou conhecido como Grunge, surgido em Seattle, EUA, no fim dos anos oitenta e que misturava Punk, metal e falta de perspectiva. Considerado por muitos até hoje como a última grande revolução no rock, o grunge foi uma onda que quebrou e varreu o mundo por alguns anos até fazer o seu caminho de volta, com a morte do seu ícone maior, kurt Cobain, deixando o estrago de um tsunami enfurecido na música pop desde então.

Em 1 hora e 23 minutos, os músicos da cidade contam histórias, anedotas e refletem sobre a dimensão que o movimento ganhou mundialmente, graças à explosão de bandas como Nirvana, Mudhoney, Alice in Chains e Pearl Jam. Também estão lá o Fotógrafo oficial do movimento, Charles Peterson, Bruce Pavitt e Jonathan Poneman, os donos da Sub Pop, a gravadora que lançou (e continua lançando) boa parte das bandas da cidade.

No documentário também estão Eddie Vedder, líder do Pearl jam (que à época vivia um período de reclusão midiática voluntário, que durou muitos anos), propagandeando as virtudes das bandas locais, que não alcançaram o estrelato, além de bandas como TAD, The Posies, 7 year bitch, the melvins, supersuckers e os "pais do Grunge", o Mudhoney, cujo Vocalista, Mark Arm, cunhou o termo em um fanzine punk local e à época exercia uma influência decisiva sobre a cena local.

Hype! é um verdadeiro tratado sobre um movimento que deixou marcas profundas na indústria do disco, ditou moda à revelia dos envolvido e cujo pedaço importante da história passa por terras soteropolitanas nessa quarta-feira. Imperdíveis! (o show e o filme).

Assita abaixo a um excerto do filme:

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Salas do circuito alternativo abrem as portas para a 5ª edição do Festival Cinema de Arte





Entre os dias 10 e 23 deste mês as Salas de Arte terão uma programação especial, voltada para o 5º Festival Cinema de Arte de Salvador. Serão 70 longas e 10 curtas, entre filmes nacionais e estrangeiros, divididos em 10 mostras. Das produções brasileiras destacam-se o gaúcho Ainda Orangotangos, plano-sequência de 81 minutos, e Feliz Natal, que marca a estréia do ator Selton Mello na direção de um longa-metragem. O lançamento do Festival aconteceu no dia 30 de setembro, no Teatro Castro Alves, e contou com a presença da atriz Sônia Braga, que é a homenageada desta edição. Sônia ficou eternizada nas telas de cinema com três fortes personagens de Jorge Amado - Tieta, Dona Flor e Gabriela - e, devido a sua ligação com o universo amadiano e a Bahia, ela ganhou ainda o título de Cidadã Soteropolitana na Câmara dos Vereadores. "Todo mundo pensa que eu sou baiana", diverte-se a atriz, que na verdade é paranaense.

(na telona) O Mistério do Samba


Delicadeza, poesia e samba, muito samba. O documentário de Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda mergulha na história da Velha Guarda da Portela, com seus personagens, alegrias e tristezas, cuícas e pandeiros, versos e melodias. O Mistério do Samba (Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda, Brasil, 2008) revela, através do olhar sensível dos diretores, a simplicidade de pessoas que transformam suas dores em música. Ao longo de 90 minutos, o filme apresenta um belo trabalho de imagens, ótimos depoimentos e um roteiro que passeia por temáticas bem definidas: o processo criativo, as fontes de inspiração, a malandragem, a cerveja, a presença feminina, o samba-no-pé e até as profissões que cada um exercia fora da Portela. O Mistério do Samba é delicioso de assistir e, sem perder a naturalidade, leva o espectador do riso às lágrimas. A trilha sonora, é claro, fica por conta dos sambas da Velha Guarda, que dão um toque especial ao filme e brindam nossos ouvidos. O documentário destaca o importante trabalho de pesquisa e resgate de sambas antigos feito pela cantora Marisa Monte e conta ainda com as participações especiais de Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho. O Cine Menu recomenda.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Bush Vai ao Cinema

Após exaltar os heróis nacionais gerados na comoção em torno do 11 de Setembro (em As Torres Gêmeas) o cineasta americano Oliver Stone (The doors, Platoon ) resolveu pegar no pé do agonizante George W. Bush. Saindo do Forno, a cinebiografia (nada tendenciosa) "W." promete causar este ano. Recentemente, o esquema de promoção do filme divulgou dois cartazes que dão a dimensão do peso das mãos de Stone sobre a cabeça de Bush. Em um deles vemos a frase em inglês "A life misunderestimated". O verbo, que numa tradução muito livre signigficaria 'malsubestimada', não existe. É apenas um dos neologismo esdrúxulos que Bush costuma inventar e que já viraram motivo de piada nos EUA. Além desta pérola, são de sua autoria também 'embetter', 'resignate' e 'foreign-handed'.
O Filme traça a sinuosa trajetória política de George W. Bush e conta com as interpretações de Josh Brolin como George W. Bush, James Cromwell, como papai Bush, Ioan Gruffudd , como Tony Blair, Thandie Newton no papel de Condoleezza Rice, dentre outros. A estréia está prevista para 17 de Outubro (nos EUA), a duas semanas das eleições, marcadas para o dia 4 de Novembro.

Assita o Trailer

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

De novo, não!


Ela não desiste. Sete anos após o mega fracasso de Glitter - O Brilho de uma Estrela, Mariah Carey volta às telonas como protagonista. Nem a fraquíssima bilheteria de Glitter, somada às críticas negativas à sua atuação, foram capazes de destruir o sonho da moça: se tornar estrela de cinema. Desta vez, a cantora pop interpreta a personagem principal do drama Tennessee: uma garçonete de beira de estrada que (adivinhem!) sonha em ser cantora. A nova produção entra em cartaz nos Estados Unidos no mês de dezembro - belo presente de Natal pra os seus compatriotas, hein?
Mariah já atuou também como coadjuvante em outros longas: Procura-se uma Noiva (2001), Testemunhas Contra a Máfia (2002) e Zohan - O Agente Bom de Corte (2008). Pelo visto ela é mesmo persistente. E olha que nem a Madonna, rainha maior do pop, conseguiu alcançar o sucesso desejado na sétima arte.

Luminet é boa opção para quem gosta de 'cinema em casa'

Auto-denominada como Rede de Entretenimento, a Luminet oferece o esquema ideal para cinéfilos caseiros. Seu site é a porta de entrada para uma nova maneira de se alugar filmes, que funciona assim: você entra no site e faz o cadastro, define a lista de filmes que quer assistir, a Luminet entrega, gradualmente (até 3 por vez), os filmes em sua casa e o assinante pode ficar o tempo que quiser com os DVDs, sem multas! Pra devolver é só passar em um dos pontos comerciais indicados no site como 'postos de devolução'. À medida que os DVDs são devolvidos, os próximos filmes da lista chegam na sua casa. Toda essa praticidade, obviamente, tem um preço. O assinante paga um valor mensal fixo (que vai de R$ 29,90 a R$ 53,90, a depender do seu plano), mas em compensação pode alugar uma quantidade ilimitada de filmes sem pagar taxa de entrega. Ou seja, cinema é o que não vai faltar. Um bom DVD estará sempre à espera do play.

domingo, 14 de setembro de 2008

Parada Gay rende boas dicas de cinema


"Qual o melhor filme com temática gay que você já viu?" Essa foi a pergunta lançada por mim aos participantes da VII Parada do Orgulho Gay de Salvador. Estava quase pronta pra sair de casa rumo ao Campo Grande quando me deu esse estalo: blog + Parada Gay + papel e caneta + cara de pau = lista de filmes gays! Confira agora, com as cores do arco-íris (não podia ser diferente), as produções citadas por nossos gentis colaboradores:

"Filme gay? Maurice." Márcia, 39, professora
Baseado no romance homônimo de E. M. Forster, Maurice (James Ivory, Inglaterra, 1987) conta a história de dois jovens estudantes ingleses que se tornam grandes amigos. Cada vez mais íntimos, Maurice Hall e Clive Durham percebem que estão apaixonados, mas lutam contra esse sentimento já que a homossexualidade, além de condenada socialmente, era considerada crime na Inglaterra do século XIX.

"Tem aquele dos cowboys, Brokeback Mountain. Muito bom." Iure, 26, estudante
No verão de 1963, dois rapazes são contratados para cuidar de ovelhas numa montanha isolada. Vivendo juntos por semanas, os dois iniciam um relacionamento amoroso no local. Brokeback Mountain (Ang Lee, EUA, 2005) ganhou 3 Oscars, nas categorias Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Trilha Sonora

"Priscilla, a Rainha do Deserto lógico!" Milena, 23, publicitária
Em Priscilla, a Rainha do Deserto (Stephan Elliott, Austrália, 1995), dois travestis e um transexual são convidados para fazer um show em um hotel de Alice Springs, cidade localizada no deserto australiano. Por causa do convite, eles passam a viajar pelo deserto a bordo de seu ônibus, batizado de Priscilla. A trilha sonora conta com a clássica I will survive.

"Fresa y Chocolate... Ah, coloca aí também Madame Satã." Fabricio, 25, professor
Fresa y Chocolate (Tomás Gutierrez Alea e Juan Carlos Tabío, Cuba, 1994) traz a história do homossexual Diego, que se apaixona por David, um rapaz comunista, heterossexual e cheio de preconceitos.

"Madame Satã é mais louco que qualquer filme de Tarantino." Fábio, 33, publicitário
João Francisco dos Santos, mais conhecido como Madame Satã (Karim Ainouz, Brasil, 2002), foi um personagem notório na vida noturna e maginal do Rio de Janeiro na primeira metade do século XX. Vivendo entre a prisão e a boemia do bairro da Lapa, o artista transformista sonhava em se tornar astro dos palcos.

"Quando a noite cai" Karol, 26, atriz
A diretora Patricia Rozema leva às telas um romance entre duas mulheres em Quando a noite cai (Patricia Rozema, Canadá, 1995). Camille é professora numa universidade religiosa conservadora e pretende casar com o namorado para construir uma vida familiar convencional. Mas, o encontro com Petra, uma artista de circo, vai mudar completamente a sua vida.

"Tem um bem recente, o XXY" Sodoku, 32, drag queen
Em XXY (Lucía Puenzo, Argentina, 2007), Alex nasce com os órgãos genitais de ambos os sexos e é escondida pelos pais, que não querem que os médicos a operem. Até que, um dia, a família recebe a visita de um casal, que leva consigo o filho adolescente. É quando Alex, que está com 15 anos, e o jovem, de 16, sentem-se atraídos um pelo outro.

"Lembro de vários filmes bons, poderia te dar uma lista. Essa estranha atração, Parceiros da noite... Tem os de Almodóvar também: A lei do desejo é perfeito, Tudo sobre minha mãe" Hamilton, 52, ator
Essa estranha atração (Paul Bogart, EUA, 1988) trata de um homossexual que ganha a vida travestindo-se de mulher em casas noturnas. O filme mostra sua vida na noite, as performances, a relação com seu amante e é pontuado por diálogos carregados de emoção entre o protagonista e sua mãe.
Parceiros da noite (William Friedkin, EUA, 1980) traz Al Pacino no papel de um policial que se infiltra no mundo sado-masô (e gay) de Nova York em busca de um criminoso. O filme chegou a ser chamado de homofóbico e foi uma das primeiras produções a mobilizar a comunidade gay para prostestar contra a forma como era retratada por Hollywood.
Almodóvar não poderia ficar de fora dessa lista. Em A lei do desejo (Pedro Almodóvar, Espanha, 1987), o diretor das famosas cores vibrantes trabalha questões como o limite entre amor e obsessão, transsexualidade, morte e incesto.
Considerado por muitos o melhor filme de Almodóvar, Tudo sobre minha mãe (Pedro Almodóvar, Espanha,1999) ganhou Oscar e Globo de Ouro na categoria Melhor Filme Estrangeiro.

"Gaiola das Loucas" Joyce, 25, estudante
A comédia The Birdcage - A Gaiola das Loucas (Mike Nichols, EUA, 1996) conta a história de um jovem prestes a se casar que se vê em apuros quando precisa apresentar seu pai, homossexual e dono de uma casa noturna, ao futuro sogro, um político conservador.

"Ah, não lembro agora... Mas, gay ou hetero, o que eu curto mesmo é filme de sacanagem" Ludmila, 36, drag queen
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Bom, Ludmila... aí já seria outra lista!

sábado, 13 de setembro de 2008

(dê-vê-dê) O Fantasma da Liberdade


A penúltima produção de Buñuel, intitulada O Fantasma da Liberdade (Luis Buñuel, França, 1974), chama a atenção por romper inclusive com o esquema cronológico. Apresentando situações completamente absurdas, o diretor faz uma sátira às convenções sociais e à própria condição humana (aprisionada a essas convenções).
Nesta obra, o espectador não acompanha uma história única: Buñuel liga as seqüências através do encadeamento de personagens – um personagem pouco importante numa seqüência pode se tornar o protagonista da próxima. As situações que o cineasta nos mostra são absolutamente perturbadoras, surpreendentes e, muitas vezes, de tão surreais acabam provocando boas risadas. Muitos devaneios se sucedem ao longo do filme e um deles é talvez o mais simbólico para ilustrar as intenções subversivas de Buñuel: um elegante almoço (novamente, uma alfinetada nos costumes burgueses) nada teria de anormal não fossem as privadas no lugar das cadeiras. Isso mesmo! O momento da refeição é completamente invertido: as pessoas fazem necessidades à mesa e se alimentam sozinhas, trancadas num pequeno cômodo. (veja o vídeo!)
Muitas outras cenas poderiam servir para ilustrar a mente buñueliana, como aquelas que compõem a seqüência do hotel. Durante apenas uma noite de estadia da protagonista da seqüência, o espectador tem que assimilar um casal sado-masoquista, um grupo de padres viciados em jogatina e cigarros (também são recorrentes as alfinetadas na Igreja), um rapaz que é amante da tia. Enfim, O Fantasma da Liberdade pode surpreender, chocar e entreter, mas tudo isso deixando sempre evidente a mensagem que Buñuel expressa ao longo de toda sua obra: as amarras sociais são meras convenções que tolhem a liberdade das pessoas.

(dê-vê-dê) O Anjo Exterminador

O manifesto surrealista foi escrito em 1924 pelo poeta, escritor, crítico e psiquiatra francês André Breton e influenciou o maior nome do Surrealismo no cinema, o espanhol Luis Buñuel. Essa corrente propõe suplantar os limites físicos e materiais para apresentar a unificação entre a realidade exterior e a realidade interior (sonhos, alucinações, angústias), chegando a uma realidade total. A sétima arte se revelou, então, uma ferramenta eficiente para a proposta surrealista.
Prova disso é a obra de Luis Buñuel, repleta de seqüências insólitas e memoráveis, que rompem com todos os padrões sociais. Em O Anjo Exterminador (Luis Buñuel, México, 1962), os personagens são colocados numa situação limite que possibilita ao diretor se deleitar diante da degradação humana, da hipocrisia que dá lugar aos instintos reprimidos. Para fazer cair a máscara da sociedade burguesa, Buñuel aplica um recurso surrealista: após o jantar, os convidados inexplicavelmente não conseguem sair da casa dos anfitriões, permanecendo ali por dias a fio.
Ainda com seus trajes de gala, os convidados dormem no chão, não têm mais alimentos nem água; e é a partir daí que os personagens começam a passar por situações inimagináveis para seu status sócio-econômico. A crítica à elite está sempre presente nos filmes de Buñuel e muitos consideram O Anjo Exterminador aquele que mais trabalha essa questão. O que vemos é uma crescente animosidade entre convidados que antes se cumprimentavam cordialmente, briga por água e comida, agressões físicas e verbais, adultério e desejos sexuais escancarados. Em suma, homens e mulheres aprisionados aos padrões sociais acabam se tornando cada vez mais irracionais e instintivos. A certa altura da trama, um dos personagens parece querer advertir o que já não tinha mais a menor importância: “Lembrem-se de quem são, de como foram educados!”
Em O Anjo Exterminador nada é tão óbvio, mas cada detalhe é preenchido de significado. O recurso da repetição de cenas e frases, por exemplo, parece casar perfeitamente com a vida daquelas pessoas. Uma vida tediosa, sem sentido, que se resume a uma constante repetição de formalidades e rituais fúteis. Nesta obra, Buñuel consegue, portanto, subverter os padrões do mundo objetivo: desde o urso (!) de estimação da anfitriã até a degeneração dos personagens diante das provações às quais são submetidos.

Concurso estadual abre espaço para novos críticos de cinema

Se você gosta de ir além dos últimos fotogramas, pensando e escrevendo sobre aquilo que viu, aí vai uma novidade: estão abertas até o dia 21 de setembro as inscrições para o I Concurso Estadual de Crítica Cinematográfica Walter da Silveira. A iniciativa é da Fundação Cultural do Estado da Bahia, através da Dimas (diretoria de artes visuais e multimeios), e visa incentivar a reflexão sobre a produção audiovisual e o surgimento de novos críticos de cinema. Os participantes devem ser críticos não-profissionais, maiores de dezoito anos e residentes na Bahia há pelo menos dois anos. Pra ficar por dentro de todos os detalhes é só entrar no site http://www.dimas.ba.gov.br/

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Prato de Entrada

Saudações, terráqueos! Tem início hoje as atividades do Cine Menu, o seu cardápio cinematográfico. Aqui você encontrará notícias do mundo da sétima arte, resenhas dos lançamentos na telona e em dvd, do cult (o que quer que isso signifique) ao pipoca, sempre antenados ao que acontece no cenário baiano. Sem precisar reservar lugar. É só escolher. E Mais: trailers, cobertura de eventos e entrevistas. Se você está buscando informação com um olhar crítico, este é o lugar.

Vida Longa ao Cine Menu!

Marcel Bane e Nana Brasil - Os Chefs