Após o grande êxito de Psicose (1960), o cineasta Alfred Hitchcock se viu diante da responsabilidade de realizar o próximo trabalho à altura do seu filme mais famoso. Sua particular habilidade e seu domínio sobre a linguagem cinematográfica ficaram mais uma vez evidentes em Os Pássaros (1963), 50º filme da carreira do diretor. Ele também tinha como característica um extremo cuidado e afinco no desenvolvimento do roteiro. Nessa película, Hitchcock optou por uma trama bastante original e inovadora, resultando numa obra absolutamente criativa.
A princípio, nada de especial. A bela Melanie Daniels (Tippi Hedren) vai até a pequena cidade de Bodega Bay atrás de Mitch (Rod Taylor), solteirão com pinta de galã que ela havia conhecido de maneira inusitada numa loja de pássaros. As primeiras seqüências apresentam um tom leve, quase de comédia romântica. Na estrutura narrativa, o suspense ganha espaço gradativamente, tendo como pontapé inicial a cena em que Melanie é subitamente golpeada na cabeça por uma gaivota. A partir daí, ocorre uma verdadeira invasão de pássaros à cidade, que dão início a uma série de terríveis ataques. O tom sobrenatural passa, então, a tomar conta do filme, já que a situação apresentada é completamente inverossímil. Ninguém é capaz de deter a fúria das aves e, ao mesmo tempo, não há nenhuma explicação lógica para esse repentino comportamento sádico de seres que normalmente não provocariam temor algum. Com esse mote, o cineasta consegue criar uma metáfora para os nossos medos inespecíficos, brincando com a imaginação do público. Não há um assassino, o “crime” é colocado apenas como pano de fundo para que o aspecto psicológico presente nas situações de mistério e pavor ganhe destaque.
A princípio, nada de especial. A bela Melanie Daniels (Tippi Hedren) vai até a pequena cidade de Bodega Bay atrás de Mitch (Rod Taylor), solteirão com pinta de galã que ela havia conhecido de maneira inusitada numa loja de pássaros. As primeiras seqüências apresentam um tom leve, quase de comédia romântica. Na estrutura narrativa, o suspense ganha espaço gradativamente, tendo como pontapé inicial a cena em que Melanie é subitamente golpeada na cabeça por uma gaivota. A partir daí, ocorre uma verdadeira invasão de pássaros à cidade, que dão início a uma série de terríveis ataques. O tom sobrenatural passa, então, a tomar conta do filme, já que a situação apresentada é completamente inverossímil. Ninguém é capaz de deter a fúria das aves e, ao mesmo tempo, não há nenhuma explicação lógica para esse repentino comportamento sádico de seres que normalmente não provocariam temor algum. Com esse mote, o cineasta consegue criar uma metáfora para os nossos medos inespecíficos, brincando com a imaginação do público. Não há um assassino, o “crime” é colocado apenas como pano de fundo para que o aspecto psicológico presente nas situações de mistério e pavor ganhe destaque.
A já citada habilidade de Hitchcock se manifesta na música de Os Pássaros. Ou melhor, na ausência de música. Durante todo o filme, há apenas efeitos sonoros, sempre remetendo aos ruídos produzidos pelas aves. Outro exemplo bastante ilustrativo do talento do cineasta é a cena em que Melanie realiza um percurso de barco até a casa de Mitch. A seqüência em questão apresenta pontos de vista alternados (Melanie e observador) e se desenvolve de maneira absolutamente silenciosa - o silêncio, aliás, é muito bem trabalhado na sua filmografia como um todo. Essa homenagem ao cinema mudo teve o intuito de valorizar a linguagem visual, mostrando a sua devida importância. Há também, é claro, o objetivo de se criar um clima de crescente tensão no espectador. E frustrando as expectativas de quem espera por uma resolução, Hitchcock constrói sua obra de maneira que o filme simplesmente acaba sem um final em si. Fica claro que os pássaros dominam por completo a cidade, mas o destino dos personagens permanece em aberto.
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