sábado, 13 de setembro de 2008

(dê-vê-dê) O Fantasma da Liberdade


A penúltima produção de Buñuel, intitulada O Fantasma da Liberdade (Luis Buñuel, França, 1974), chama a atenção por romper inclusive com o esquema cronológico. Apresentando situações completamente absurdas, o diretor faz uma sátira às convenções sociais e à própria condição humana (aprisionada a essas convenções).
Nesta obra, o espectador não acompanha uma história única: Buñuel liga as seqüências através do encadeamento de personagens – um personagem pouco importante numa seqüência pode se tornar o protagonista da próxima. As situações que o cineasta nos mostra são absolutamente perturbadoras, surpreendentes e, muitas vezes, de tão surreais acabam provocando boas risadas. Muitos devaneios se sucedem ao longo do filme e um deles é talvez o mais simbólico para ilustrar as intenções subversivas de Buñuel: um elegante almoço (novamente, uma alfinetada nos costumes burgueses) nada teria de anormal não fossem as privadas no lugar das cadeiras. Isso mesmo! O momento da refeição é completamente invertido: as pessoas fazem necessidades à mesa e se alimentam sozinhas, trancadas num pequeno cômodo. (veja o vídeo!)
Muitas outras cenas poderiam servir para ilustrar a mente buñueliana, como aquelas que compõem a seqüência do hotel. Durante apenas uma noite de estadia da protagonista da seqüência, o espectador tem que assimilar um casal sado-masoquista, um grupo de padres viciados em jogatina e cigarros (também são recorrentes as alfinetadas na Igreja), um rapaz que é amante da tia. Enfim, O Fantasma da Liberdade pode surpreender, chocar e entreter, mas tudo isso deixando sempre evidente a mensagem que Buñuel expressa ao longo de toda sua obra: as amarras sociais são meras convenções que tolhem a liberdade das pessoas.

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